E teve aquela oficina sobre CAT Tools na USP de São Carlos…

CAT Tools é o nome que se dá para alguns softwares ou plataformas que ajudam os tradutores a executarem seu trabalho com maior rapidez e eficiência. E já que essas ferramentas são tão boas, por que ainda há tradutores que não as utilizam?

Uma das razões, e provavelmente a mais importante delas, é o fato de que as CAT Tools envolvem a adaptação do tradutor a um ambiente totalmente novo, especialmente em termos de interface de usuário e do fluxo de trabalho. E essa adaptação é árdua, especialmente para quem está acostumado a traduzir em softwares mais comuns, como o Microsoft Word e outros processadores de texto.

E com clientes que usam essas plataformas e exigem que os tradutores também as usem, o mercado e as oportunidades vão rarear constantemente para os profissionais que não souberem utilizá-las. Com isso, vem também a pressão do mercado para que o profissional se atualize a qualquer custo.

Alguém mais se identifica?

E estou falando tudo isso por experiência própria. Aprender a usar uma CAT Tool “na unha” foi um dos processos mais espinhosos pelos quais já passei em tempos recentes. Os manuais dos programas não são feitos para auxiliar quem é totalmente leigo no assunto, as interfaces das plataformas não são nem um pouco intuitivas, o fluxo de trabalho é totalmente diferente… enfim, são as dificuldades já mencionadas acima.

O que fazer nesse caso?

Pois é, tive que aprender na marra. Depois de alguns projetos de teste, muita leitura de manuais, fóruns de usuários, vídeos do youtube e até a ajuda de alguns clientes para fazer ajustes mais finos nos trabalhos consegui chegar num nível razoável de competência com a CAT. E decidi que um dos meus objetivos seria ajudar outros tradutores (e aspirantes, também) a aprender a usar essas plataformas para que não tivessem que passar pelos mesmos perrengues.

Foi praticamente um momento Scarlett O’Hara.

E foi assim que desenvolvi a oficina CAT Tools: Que Bicho é Esse? A primeira versão da oficina foi oferecida a um grupo de 16 colegas nas dependências da Livraria SBS Internacional da Vila Mariana, em São Paulo. Em sua primeira versão, foi uma oficina introdutória e expositiva, sem a parte prática. Embora tenha sido bem proveitosa, seria desejável ter um momento para que os participantes pudessem botar a mão na massa e colocar o conteúdo da oficina em prática.

Com isso em mente, eu e a minha parceira Luciana Galeani Boldorini no projeto Rook oferecemos a versão ampliada da oficina, agora com 6 horas de duração, dividida em um módulo teórico e prático. A entidade que abriu espaço para esta oficina foi a USP São Carlos, por meio do grupo FoG – Fellowship of the Game, com quem já temos uma relação de parceria há alguns anos, contribuindo com palestras abertas ao público nos eventos como a Semana da Computação (Semcomp) e o USP Game Link há alguns anos.

E a oficina em São Carlos foi um sucesso! Com 6 horas de carga horária, a inserção na 22ª Semcomp, no dia 3 de outubro de 2019, fez com que conseguíssemos juntar gente da área da tradução e da computação na mesma oficina. E a cereja do bolo veio mesmo na hora do módulo prático da oficina: para coroar as duas áreas profissionais representadas no curso, trabalhamos no projeto de localização de um game. Um dia bastante produtivo para nós e para todo mundo que participou da oficina!

E não vamos parar por aqui. A oficina está pronta para ser ministrada novamente, assim que surgir uma oportunidade. Fiquem ligados!

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